quinta-feira, agosto 28, 2008

Os ponteiros apressados,
tic tac tic tac
Batem no mesmo compasso
tic tac tic tac
O coração descompassado bate
Tum tum tum tum
Em vida que explode
Tum tum tum tum
Vivendo mil minutos em um.

sábado, agosto 16, 2008

Insônia

Me acalma a alma
Conturbada e sofrida
A noite mal dormida
Silenciosa e calma
Que traz tanto desespero
Que soa a destempero
E que o sono espalma

Me faça dormir sereno
Nessa noite tão fria
Que até a mente esfria
E o corpo fica ameno
A mercê da solidão
Que aflige o coração
Tal qual letal veneno
Espere,
Não sai assim
De vez, da minha vida

Você chegou,
E agora quer partir
Sem nem ao menos uma despedida

Não reclamo
Porque partes
Mas da forma como vais

É preciso
Inda que uma vez mais
Saber olhar para trás

Não apague
Marcas para esquecer
O que não dá para ser esquecido

Não viva
Como se tudo
Só fosse terminar no fim

Pois cada dia
É um pouco mais perto
Do dia em que estaremos longe

Pois a vida
Não dá tempo para escolher de novo
E recomeçar.

sábado, fevereiro 03, 2007

SEGUINDO A TRILHA

É mata
É serra
É minha guardiã
E o seu sorriso só
Me traz bem

É anjo
É vida
É minha princesa
Que só carrega alegria
Com o orvalho da manhã

É beijo
É abraço
É minha amiga
E tudo que me diz
É como uma cantiga ao vento

É sorte
É tudo
É minha namorada
Que me faz feliz
Por me ensinar a amar

DIBUJOS

Dibujos en la pared
Son usted y yo
Borrados por el tiempo
Sólo restan las sombras
Como fantasmas que vuelven

Dibujos en la pared
Cerro los ojos
E ya no miro dibujos
Miro nosotros
Y nuestros momentos pasados

Dibujos, sombras, fantasmas,
Usted, yo, nosotros,
La lluvia ensució los dibujos
Y los celos ensuciaron nuestras almas

He hecho muchos dibujos
En las paredes de la casa
Pero son sólo dibujos.
Sin usted, no son nada.

DE TANTA PAIXÃO

De tanta paixão
Até faço prece
Que meu peito estremece
Diante de tanta emoção

Meu coração, para ouví-lo,
Não precisa entendimento
Apenas o sentimento
Para percebê-lo intranqüilo

Esse teu corpo sereno
Teu olhar tão moreno
Aviva minha ilusão

E, de tanta paixao,
Transformo a vida em cores
E em cada esquina, mil flores.

PASTO DE VERMES

"Já o verme - este operário das ruínas -
que o sangue podre da carnificinas come,
e à vida em geral declara guerra"
Augusto dos Anjos
O sangue nos corredores
De grandes hospitais doentes
Onde enfermeiras e doutores
Tornam-se dementes
A morte solta corre
Por entre leitos infectados
De vários males se morre
Vermes, nas carnes encontrados
O cheiro de carne decomposta
Insensando o mundo afora,
Explícita, a podridão
Para os germes, mesa posta
Imagem nada tentadora
Um verme rói o coração

SEM CURA

Somos jovens doentes,
Apáticos, indiferentes,
Nervosos, psicopatas,
Dementes, cardiopatas.
Não temos dinheiro,
Só afetação.
Milhares de comprimidos,
Não há mais salvação.
Queremos morrer,
Mas mortos estamos
O veneno foi absorvido
E nós nunca prestamos
Vós sois testemunhas
Dessa juventude falida
Vítima de vossa herança
Que a condenção valida.

OS CISNES NEGROS

Negros cisnes da morte,
Que bicam as flores da vida
Seus bicos fazem o recorte
O sangue não os intimida

Asas pretas sobre um corpo pálido
O pavor o empalideceria
Este, que antes era cálido
Agora se decomporia

Apodrece, e já é fétido
Quando o primeiro verme aparece
De dentro das carnes defuntas

Bicam todas as aves juntas
Qualquer ser vivente estremece
Um cisne engole o vemre apodrecido

DE SONHOS E DE AMIZADE

Não era fácil,
Mas era o sonho
E eu não podia perdê-lo assim.

Não era grande,
Nem tão pequeno,
Mas do tamanho que eu queria.

E foi-se o sonho,
De ser mais que amigo
E tudo que havia
Agora tinha terminado

Foi mais que vontade,
Foi intenso o desejo
Consumiu-se em um fogo
O sonho tinha acabado.

Lembranças

Lembrem das tardes cálidas,
Quando ela se encontrava
Sentada na colina, sozinha.
Ninguém sabia o que pensava
Mas era nela em que todos pensavam.

Lembrem dos pássaros voando
Ao redor da menina
Cantando uma canção
Como um dia cantei.

Não esqueçam do vento sereno
Acariciando sua pele
Macia como uma pluma,
Digo porque senti.

Nunca apaguem a imagem
Do sonho formado
Lá em cima, no alto,
No cume da colinda.

Era lá que estava,
Naquelas tardes cálidas,
Quando os pássaros cantavam,
E o vento passava,
Para onde se dirigiam os pensamentos.

Ainda olham para a colina
E tanto tempo já passou
Mas é forte a lembrança
Ainda resta a esperança
Que seja devolvida,
Desse penhasco em que se jogou.

domingo, novembro 12, 2006

ENSEJOS

No silêncio dessas paredes
Neste chão duro e frio
Teu olhar já não é o mesmo
Nem o que dissestes
Possui mais algum valor
Eu continuo te amando
Só que agora é diferente,
Quero ficar sozinho
Quem sabe escrever um pouco
Pensar na vida que levamos
Os carros já não me incomodam mais
E tudo mais é passageiro
Acho que te amarei eternamente
Mas quero continuar meu caminho
Coisa triste é amar,
É sofrer mais do que é preciso
Sentir falta de um carinho
Mas me entenda,
Quero ficar sozinho

SEM TÍTULO

Carrego dentro do peito
A mais forte lembrança
De quando ainda era criança
E sonho em meu leito
Com a vida que vivia
Sem conhecer o mal
Era vida sem igual
Era até mais do que queria
Dormia na sombra do cajueiro
Galopava cavalo sem sela
Vida mesmo boa era aquela
De café torrado, ainda sinto o cheiro
E navego em meu pensamento
Rumo a um distante passado
Levo a sede do viajante
Sou como poeira ao vento.

DEUS

Eu te procurei
Em meio à imensi~dão inifnita
Nos lugares mais bonitos
E em todos os outros por Ti criados

Nos animais te busquei
Também em selvas e florestas
Onde estarias Tu
Que em canto algum te encontravas?

Nos desertos meditei
Em gélidas terras descansei
Mas a todo instante, era a Ti que buscava

A vida muito me ensinou
Sem te ver, aprendi que és amor
E finalmente te encontrei dentro de mim

A LENDA DO AMOR

Uma vez existiu,
Mas existiu de verdade,
Muito antes de nascermos,
Existiu o amor

Hoje não o sentimos
Ele nos abandonou
Agora não mais o temos,
Bateu asas e voou

Culpa dessa maquinaria
Tirou-nos o dom de amar
Talvez já nem possamos sonhar

Era eterno, todos diziam
Realmente não o era
Proque dele, só restou essa lenda

SONETO DO DESPERTAR

Levante-se e abrace-me
Deixe tudo para depois
Após tanto tempo perdido
É hora de recomeçar

Acorde, receba os raios do sol
Junto com meu coração
E ouça as verdades que lhe digo
Que lhe amo eternamente

Entregue-me sua mão
Enfim, caminhemos juntos
Em direção ao amanhã

Sinta o vento em seu rosto
Correndo livre por seus cabelos
E, ao menos uma vez, deixe-me lhe amar.

CEDO

Eu senti o que você sentiu
E lhe vi como você me viu
Mas ainda era cedo
Ainda é cedo demais

Eu quis o que você queria
E não tive a coragem que você não teve
Porque ainda era cedo
Ainda é cedo demais

Eu sonhei como você sonhou
E esperei o que você também esperou
Só que ainda era cedo
Ainda é cedo demais

E a vida tomou seu rumo
Você e eu, outros caminhos
Porque acreditamos que era cedo
Agora é tarde demais

BEIJA-FLOR

Quisera ser um beija-flor
Para voar por entre as pétalas de teus cabelos
Sugar o néctar em tua boca
Quisera ser um beija-flor

E, nas tardes ensolaradas,
Cantar baixinho ao teu ouvido
Aquela que seria a nossa melodia
Aquela que é a canção dos amantes

Quisera ser um beija-flor
E que, ao voar, pudesse aos céus levar
A infinita beleza de amar

E, no final de tudo,
Quisera ser ainda um beija-flor
Para te preparar um ninho de amor.

terça-feira, outubro 03, 2006

AMOR À "LA CHIMIE"

Você é a base para
a minha reação.
O oxigênio,
na combustão de meu amor.
O isótopo que
completa meu elemento
Os elétrons de meu corpo
buscam teus prótons
E querem pulsar bem próximos
de teu coração ionizado.
Quero dissociar-me em
teus braços,
Unindo-me em teu corpo
numa só fase de agregação.
Nesse rodeio de átomos,
nesse arranjo de cristais
Meus desejos são catalisados
pela fórmula de teu amor.
Faz tempo que não escrevo mais poesia...
E esse lado estava adormecido, esquecido... Hoje vi que não podia deixá-lo guardado, escondido. Essa parte tão importante de minha juventude deve, até mesmo por respeito ao que significou para mim, ter seu espaço.
Por isso é um re-canto (um misto de recanto - espaço com o cantar novamente).
Enfim, poesia..