segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Por tudo o que já foi

"Eu não consigo mais ficar sozinho aqui,
sem você é tão ruim"
Lobão, Pelo que for

Me abraça tão forte, me faz te sentir aqui
Me abraça apenas por tudo o que foi
E por agora que já não é mais
Eu nem sei
E talvez nunca soube
Eu nunca consegui acordar
Desse sonho que era tão bom
Do sonho que me fez acreditar
E aonde está você?
Minhas noites são tão escuras, agora,
E o vazio preenche o espaço de meu peito
Com a presença da ausência que você me faz


Sombras

As pessoas dormem, os anjos dormem,
Nada acontece, a não ser a solidão
E a madrugada é tão escura e fria
Mas estou aqui, eu sempre estive aqui

Não há sentido em se ter sentimentos,
A felicidade é tão efêmera que não há
Apenas surtos passageiros que se apagam
Instantaneamente, nas sombras da noite

Demônios inssurgidos na escuridão
Atormentam meu espírito solitário
E escarneiam de meu coração ferido

O Universo parece estar vazio
Meu grito dirige-se às estrelas, ao infinito,
Mas também as estrelas se apagaram

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Miragem na madrugada

Hoje a noite ficou impregnada com teu cheiro
Senti você espalhar-se pelo ar ao meu redor
Envolvendo-me em sua mais doce lembrança
Fazendo-me lembrar que um dia fui feliz

E era uma lembrança tão viva e tão ativa
Que não pode ter sido engano ou fantasia
Até tomei o mar por minha testemunha
Pois procurei o horizonte e só encontrei tua imagem

Aos poucos se esvaiu teu perfume
E teu reflexo mesclou-se ao azul do oceano
Tua presença transformou-se em ausência sentida

E agora me pego buscando o espaço vazio
Esperando ver você se materializar
Esperando que não seja apenas um sonho

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Agora que virei Orfeu

Che farò senza Euridice?
Dove andrò senza il mio ben?
Euridice! Euridice! Oh Dio! Rispondi!
Io son pure il tuo, fedele!
Euridice! Euridice! Ah! Non m'avanza
più soccorso, più speranza
nè dal mondo, nè dal ciel!
Dove andrò senza il mio ben?
(Che farò senza Euidice?, Christopher Gluck)


Felicidade que me foi arrancada
Dos braços em um cruel destino
Perdeu alegria a minha música
Perdeu sentido a minha vida

É doloroso aceitar a partida
É necessário descer ao submundo
E escutar o fantasma de Eurídice
Uma vez mais pronunciar - Adeus!

Abre-me as entranhas o fogo dessa dor
Aquebranta-me a alma minha tristeza
E nada abranda a verdade de sua falta

E agora que então eu virei Orfeu,
Condenado ao furor da solidão como castigo
Espero em silêncio as mênades me despedaçarem

terça-feira, fevereiro 08, 2011

De mal com o mundo

Sem você eu não sei seguir,
Não aprendi toda a lição
Da parte que falava de amor
Não prestei muita atenção
Na parte que tratava de desamar
Sonhei que o amor era eterno
Que o amor nunca se acaba
Mas parece que li o livro errado
Minhas anotações já são desatualizadas
O que aprendi é insuficiente
Não me ensinaram a conter a dor
Ou a disfarçar tua falta
Porque todo mundo me olha
E percebe que não te encontrei
E é tão claro, tão fácil,
Que nem precisa explicação:

Pois quando não estou bem contigo
Acabo ficando de mal com o mundo

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Tristeza

E vem, minha tristeza,
Já abri a porta, sentei à mesa,
E você pode entrar

Vem ser minha companhia
Estar comigo a cada dia
Não precisa esperar

O sol já surgiu no céu
Lágrimas sobre o papel
Da carta dela que recebi

Dizendo que ia embora
Que era nossa última hora
Que já não me quer mais

Então vem, minha tristeza
Já abri a porta, sentei à mesa,
E você pode comigo morar

sábado, fevereiro 05, 2011

Game over

E quando o amor acaba
As cores perdem sua totalidade
Os sons deixam sua harmonia
E o riso perde sua graça,
Se é que é possível ainda sorrir.

Os minutos parecem prolongarem-se
Na apatia que logo se instala,
No silêncio que se torna constante,
Na ausência que vira companheira,
Na tristeza que então alimenta
A dor de mais um coração partido.

sábado, janeiro 22, 2011

Apenas por teu sorriso

E perco noites de sono
Por madrugadas seguidas
Apenas para te sentir um pouco mais comigo
Apenas para ter teu sorriso e nada mais

E dizem que nem sou mais o mesmo
É que já há tanto de você em mim
Que carrego você comigo, o tempo inteiro
Apenas para ter teu sorriso e nada mais

E porque o tempo passa tão apressado
E cada segundo contigo é tão importante
Que acordo no frio da tempestade
Apenas para ter teu sorriso e nada mais

E levo no peito tanta saudade
E são teus olhos que vejo nos meus
Que atravessaria meses a fio
Apenas para ter teu sorriso e nada mais

domingo, janeiro 09, 2011

Astrônomos

É para poucos ouvir o silêncio das estrelas
No escuro da noite que cobre o horizonte
Pálidos pontos de luz e esplendor
Que são velados pelos amantes da esperança

Novos mundos revelados pela insistente vontade
De sondar um universo então inexplorado
Sorte que se lança na vastidão desconhecida
Luta inglória e desapercebida de um mundo que dorme

Atento à hora que se eleva na insônia de mais uma noite
A lua banha de admiração o filho das estrelas
Que se levanta em busca do brilho efêmero e evasivo

Com olhos errantes apontados em um teorema contemplativo
Espalham-se atentos à imensidão invisível acima de suas cabeças
A aventura de ouvir estrelas é para poucos.


Amor, apenas amor


Não sei quando nem onde
Nem em que curva da vida
Sua mão se soltou da minha
E de mim você se perdeu

Fiquei sem ter direção,
Deixando o vento me levar
Para o destino que não tenho
Abandonando para trás o sonho já destruído

Esqueci que eu ainda era capaz de sofrer
Arrisquei mais uma vez meu coração
E agora ele está em pedaços novamente

Traiçoeiro é o amor que se apodera
Do peito antes ferido e de novo o maltrata
Sem dó, dilacera e esquarteja a alma caída

17:17

Não fales que me amas 
Se irás negar-me o próximo segundo,
Deixando-me apenas sozinho

Não me abraces tão forte e apertado
Se me abandonarás em seguida,
Deixando-me apenas sozinho


Não me encantes com tantas palavras
Se irás esconder-me teu riso mais tarde,
Deixando-me apenas sozinho

Não me digas que sentes saudade
Se irás te ausentar daqui a um instante,
Deixando-me apenas sozinho 

Acredite, eu me iludo tão fácil
E acabarei sofrendo tanto
E morrendo com o tamanho desencanto
Se me tiras as asas que me destes
A apenas três minutos atrás

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Amor

Amor que com amor não te pagastes
Te transformas em sofrimento insano
Que só entende quem um dia amou
E descobriu que o amor foi ilusão

Que se acabou, que se partiu
Sem aviso ou sequer consideração
E foi-se embora, e nem sentiu
Da dor que se formou no coração

E é tão amargo o sabor
Dessa luta tão inglória
Do amor que brilhou outrora

Que apagou a esperança
Que destruiu cada desejo construído
E que recolhe as cinzas do que restou

Feridas

Dentro de meu coração
Existem feridas abertas
Que o tempo não cicatrizou
E cuja dor não prescreveu

Dentro de meu coração
Ainda bate o desespero
E soluça o destempero
De quem sofre por amor

Dentro de meu coração
Esconde-se a mesma verdade
Ocupa-o a dor da saudade

Preserva toda a intensidade
De poder ser só vontade
De tentar e nunca ser verão

sábado, dezembro 25, 2010

Mulher

Mulher,
que te fazes uma incógnita para mim
és febre, és força, és meu pensamento
não há outro que não seja para ti

Mulher, 
que te fazes tão difícil
não me deixes assim tão solitário
a vida é amarga, sem notícias de você

Mulher,
que te fazes tão inesperada
és tanto, é tudo, és minha vida
destinei meu coração só para ti

Mulher,
que te fazes improvável
não me deixes assim sempre na dúvida
a vida é triste, sem a certeza de te ver

Mulher,
que me fazes tão confuso
és meu sorriso, meu choro, meu mundo
o amor que vivo, infinito, é por ti 

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Tatuagem

és parte de minha carne, que não se separa
estás no interior de meu coração, onde não se tira
vives em minha mente, em que não se apaga
teu nome habita meus sussuros, que te chamam
és força que alimenta minha alma
és esperança no dia em que se levanta
trazes conforto ao meu corpo já cansado
trouxestes amor a um peito antes tão sofrido

terça-feira, dezembro 14, 2010

Em frente

Se te espero desesperadamente
É apenas porque te quero
Agora, e por todo o sempre
E por muito tempo mais

Meu amor infinito, querido,
És igual a meus melhores sonhos
És perfeição para mim
Até tens os defeitos que eu desejei

Ao olharmos o mesmo horizonte
Tua mão entrelaçada também é minha
Meu coração acelerado é teu também

Que estejas comigo em cada segundo que houver
Sem sombras ou dúvidas, pois nada há de ofuscar
A luz desse amor, que brilha tão intensamente em nós

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Menino

Queria ser simples,
mas nasci complicado
Queria ser forte,
só consegui ser covarde
Não tive coragem,
fingi ser valente
Mas eu sou tão fraco
Que me escondo da vida
Dizem que sou poeta
Sou apenas um menino assustado.

Apenas uma estação

Amor que jurei eterno
Jamais pensei que durasse apenas
uma estação de primavera
quando queria que ultrapassasse
todas as estações da vida
Haverá culpa em um ato
tão impensado?
Ou sentimento que resista
diante de tanta adversidade?
Meu peito aberto, ferido,
diz que a esperança está morta
Não tem ânimo, nem mais espera
Acordar para uma próxima primavera.

Jogos mentais

Não façamos do amor
Um conjunto de jogos mentais
Não pode haver disputa de poder
No amor, ninguém vence sozinho
Apenas vencem os dois
Ou perdem juntos também

Não usemos de nossa maldade
Com um sentimento tão puro
Não confunda o que te digo
Nem poderei entender de outra forma
Tudo aquilo que me dizes
Muito mais de uma vez

Não transformemos o amor
Em uma guerra de jogos mentais
Isso não pode ser bom
O amor assim se destrói
E junto vão corações
Que foram despedaçados

Então não vamos jogar
Deixemos os jogos de lado
Não há motivo para disputas
Só há sentido para a vida
Que se vive compartilhada
Dentro do mesmo sentimento

terça-feira, dezembro 07, 2010

Epitáfio

Pôde, enfim, descansar liberto desse corpo cansado
E agora movimenta-se livremente seu espírito infatigável.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Tu és o grande amor de minha vida

Tu és o primeiro pensamento de meu dia
Meu amor constante, que nunca acaba
Que nunca, que nunca acabará

Que me compreendas, que eu te compreenda
Que não haja nada mais forte
Nunca haverá algo mais forte que nosso amor

Enfrentarei o mundo, se necessário
Para acordar todo dia ao teu lado
Para te ver, meu grande e único amor

Te ligarei várias vezes a cada dia
Te amarei por toda a vida
Assim te amo, com todo meu coração

Não há pensamento que não seja em ti
Não há amor igual ao teu
Sem ti, a vida não tem qualquer valor.

Numa noite ruim

Amor trago ainda, numa esperança reforçada

Perder você é receber um corte na alma
É deixar de sentir o aroma do mundo
É como entrar no mar
Sem sequer se molhar

Não ver você é algo tão sério
Que o peito todo se comprime
Um peso imenso o esmaga
Se sonhar em não te ver

Sentir você partir
É algo que não resisto
É algo ao qual não sobrevivo

Tirar você de mim
É tarefa impossível
Desculpe-me, mas não posso cumprir.

domingo, dezembro 05, 2010

Tristeza

A tristeza me pede um convite para entrar
Quer se sentar à mesa, comigo
Mas tristeza nem precisa de convite
Recebo-a como uma velha amiga
Que volta e meia precisa viajar
Mas que deixa-me a certeza
De que um dia (em breve) estará de volta.

sábado, dezembro 04, 2010

A um poeta sonolento

Para Mario Quintana

Acordem os monstros,
Os sonhos terminaram por cair
Dentro do coração que sofre as horas
Ah, fosse então relógio para não sentir!
Quem dera os monstros não saíssem...
Quem dera os sonhos nunca ruíssem...

segunda-feira, novembro 29, 2010

Querência

Estava só
E aflito
Quando você apareceu
E me deu sua mão

Estava triste
Mas tão triste
Quando você chegou
E me ofereceu seu sorriso

E de repente
Acabou meu sofrer
Ganhou sentido viver
Pois contigo
Renasceu a esperança
Bateu novamente
Mais forte meu coração

E a vida
Desabrochou em primavera
Numa forte explosão
Incontida
De cores e de paixão
Amor que não tem tamanho
Ou mesmo comparação

sexta-feira, novembro 26, 2010

O que bem quiser de mim

"Eu tive um sonho ruim e acordei chorando,
por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?"
Por quase um segundo, Cazuza

O coração se aperta
Com a saudade que cresce durante o dia
Na angústia de não estar contigo

Não há paz sem ti
Nem há noites tranquilas de sono
Na solidão de se estar sozinho

Tanto te quero que te espero
Por um tempo insistente que não passa
Inflingindo-me pedras e lágrimas
Carregadas de dor e desespero

Te amo por uma eternidade e pouco mais
Dentro de minha intensa exageralidade
Que permeia meu universo ínfimo
Construído com vazios e entropia

segunda-feira, novembro 08, 2010

Nós

Você e eu
Não somos obra do acaso
Somos peças que se complementam
Nesse intricado quebra-cabeças
E estamos juntos
Porque não existe combinação mais perfeita
Entre opostos ou semelhantes

Juntos, somos mais que o tempo
Juntos, venceremos o mundo
Contigo, farei mais loucuras do que faria
Comigo, farás menos loucuras do que farias
Seremos o equilíbrio dinâmico
Entre dois exagerados

Se me dás coragem, eu te ofereço esperança
Se me trazes alegria, eu te levo serenidade
Se te dou segurança, tu me ofereces ousadia
Se te trago a calma, tu me trazes o inesperado

Estarmos juntos é inevitável
É muito mais do que apenas destino
Cada barreira é uma conspiração do Universo
Para nos tornarmos inda mais fortes
No compasso de corações que pulsam uníssonos
E de pulmões que compartilham o mesmo ar
Dentro do sentimento que vivenciamos
Na transcendentalidade de nossas almas

É tão forte que cada pensamento meu
Também é teu
É tão próximo que cada sonho teu
Também é meu
É tão suave e sublime
Que, quando estou no inferno,
Teu sorriso me eleva ao céu

D. Maria

"A burguesia fede (...)
A burguesia não repara na dor da vendedora de chiclete"
Burguesia, Cazuza

Ninguém se importa com a dor
Da caminhada diária de D. Maria
Ninguém oferece uma flor
Enquanto ela oferece um sorriso
Disfarçado de chiclete
E D. Maria está toda noite
De bengala na mão e pano na cabeça
A andar de bar em bar
Visitando cada mesa
Oferecendo seus doces
Para tentar amenizar a vida
E D. Maria tem sede
E eu também tenho sede, D.Maria
Sede de um mundo melhor
Em que a justiça não seja apenas um sonho.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Cor

Queria te beijar loucamente
Em um beijo tão louco que
Ninguém foi ainda capaz de dar
Dentro da mesmice do mundo
Que cada um guarda no interior de si
Não sei esperar
Esse tempo de angústia
De uma falta que me persegue
Do olhar que não veio
Da voz que não escutei
De tudo que não existe
E que idealizei em meu sonho
De uma loucura que não cessa
De se estar louco porque ama
De viver porque se ama
Com as tintas desse amor
Criei as cores de meu Universo.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Por apenas dez minutos

Que me venhas
De onde estiveres,
Pelo tempo por mais curto que seja
Ainda que sejam apenas dez minutos,
Mas que possam ser dez minutos intensos
Dez minutos de você e eu
Que façam valer todo o dia,
Que exalem toda uma vida.

Opressão

É necessário quebrar os grilhões
Que seguram os pés e os braços do oprimido
Grilhões a amarrar a alma a que se oprime
São grilhões que limitam o pensamento
Expulsando a esperança de um futuro
E prendendo as asas de sonhos que nunca voarão

São grilhões que cegam os olhos e cercam a mente
Grilhões que pregam a conformação sem salvação
De um oprimido que não se apercebe
Da opressão que o controla, desde antes;
Da vida que lhe retirada, desde sempre.

Relatividade

Porque te amo
Me angustia tanto a espera
De cada minuto que passa devagar
Dentro da saudade que não finda
Até o instante de te encontrar

Porque te amo
O tempo passa despercebido
O relógio corre mais rápido
Dentro de meu coração acelerado
No instante em que estou contigo.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Dependência

Sentir-te distante
É uma dor que sofro em silêncio,
Constante.
Não te sentir a meu lado
Lacera meu coração,
Aflito.
O vazio de tua ausência
É mais do que saudade,
Insuportável.
Não te ter aqui comigo
Maltrata meu espírito
Que depende de ti.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Início de dia

Raios de sol despontam no horizonte
Mas meu coração não amanhece
Nem participa desta alegria de um dia que nasce
Meu coração se esvai na incerteza do amor
Que vai e vem com a maré, 
Que segue a direção imposta pelos ventos da vida.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Para uma menina em flor

Meu amor
E é sempre só você em minha vida
Por todo o sempre que existir

Meu único amor
És flecha que queima ardente em meu peito
Tão forte que nunca se apagará

Minha doce e sublime paixão
Avassaladora e intensa, que resume
Toda a minha existência

Meu verdadeiro amor
Que o tempo não destruirá
Que produziu marcas em meu coração

Ausência

Se saudade fosse apenas sentimento
Mas traz consigo uma dor
Pra quem viu os barcos partirem
Quando ainda era cedo demais

Mas nem tudo foi tempo perdido
Filhos também viraram pais
Uma nova música urbana começa a tocar
E ainda somos tão jovens

Não conhecemos razões
Para as coisas feitas pelo coração
Quem nos dera sempre acreditar
Que bastasse apenas esperar

E quase sem querer
Há tempos ainda lembramos de você
Que partiu cedo demais
Para a via-láctea tão distante
Mas que ainda mora aqui dentro de nós

Força sempre!

A Renato Russo, nos 14 anos de uma saudade descontente que não desatina

quarta-feira, outubro 06, 2010

Te amo

Te amo enquanto existir o tempo
E por cada segundo que existir
Te amarei ainda mais
Cada vez mais

Te amo em cada suspiro
E te amarei mesmo depois
Em que parar de respirar
Eternamente

Te amo sem medir espaço ou tempo
Te amo de toda e qualquer maneira
Sem dúvida ou receio

Te amo na suavidade da palavra
E também te amo na beleza de teu riso
Carregado de realidade e de sonhos

segunda-feira, outubro 04, 2010

Querer

Não quero que me queiras porque te quero
Quero que me queiras porque me quer
Não quero que não saias porque eu quero
Quero que não saias por não quer
Não quero que fiques no chão porque não tenho asas
Quero que voes e que também me ensines a voar

domingo, outubro 03, 2010

Inverno

Inverno está em mim
Não há outra estação
Solidão que é sem fim
Habita em meu coração

Inverno passa devagar
As noites são tão frias
Estrelas já sem brilhar
Estações já tão vazias

Peito fica a lamentar
A dor bate lentamente
É infinito o meu pesar

Esperanças tenho em vão
E me mantêm sutilmente
Que voltes na próxima estação

Outono

As folhas caem devagar
Como lágrimas seguidas
Umedecidas de emoção
De mais uma estação que passou
Bem longe do meu lado
Os caules estão expostos
As cicatrizes ainda estão abertas
De tanto acreditava nunca te perder
Que forjei minha tristeza
No dia em que te perdi
Duas estações atrás.

Verão

É sol lá fora
E meu coração veste luto
Não tem vontade de sair
Perdeu a força de viver
O tão claro é tão escuro
Quando não se tem futuro a projetar
Ou esperança em que acreditar
O sol não tem raios para mim
Não tem luz nem calor
Entenda que meus dias não nascem com o sol
Meus dias só se iluminam com teu riso

Primavera

As flores começam a brotar
Mas estão murchas em meu coração
Parece até que a primavera se foi
Que toda a beleza se perdeu
Depois que partiu o vagão
Te levando em minha contramão
E me deixando tão mal
Primavera me faz triste
Nem mais consigo sorrir
Primavera e você seguem em frente
Eu continuo solitário em mim.

sábado, outubro 02, 2010

Silêncios na madrugada

Não me respondas 
com silêncios
Porque silêncios muito dizem
Dizem mais até do que palavras
Maltratam mais do que palavras
Matam mais do que flechas incendiárias
Destroem mais do que furacões alucinados
Amedrontam mais do que o mais terrível pesadelo.
 (Fonte da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1Go0wKtQJp4lAhgiYwU72zOlHfkENLzVJgF8sSx30CDxvEXfwrX1VeN8Ihn-ykbenYJhPeuEUgHYOxkNWgRlQRbTJHaRd-lcv2d_AJjrcTGywYBYBjbODXCa7_qbrtbhJNRfP/s400/noite.jpg)

Você e eu

Se te deixo partir
É porque acredito em
Teu breve regresso

Se te deixo decidir
É porque tenho confiança em
Cada escolha tua

Se me arrisco a te perder
É porque sempre terei forças para
Tentar te trazer de volta pra mim
Até o fim 

 (Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/_jsCvYRaYgHA/TIVJSMDBcZI/AAAAAAAAALE/6O_98rt7U7g/s1600/Confian%C3%A7a.jpg)

Desafios

É duro te ver
e não poder falar
mais do que palavras
É duro estar perto
e ter que contentar-me
com apenas poucos abraços
É difícil respirar
Se você é o oxigênio
que me falta
É difícil estar
se sem você já
nem existo
Impossível a missão
de arriscar um passo à frente
se você não estiver a meu lado.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Sorri para mim!

Não sei dizer
Como isso começou
Só sei  que aconteceu
De forma estranha
Não consegui controlar
Não tentei controlar
E foi assim
Que vi você surgir
Dentro de mim
Até o fim
Até que enfim
Minha flor, meu par
Sorri pra mim!
Vem me iluminar
Com teu riso sincero
Banhado de felicidade
Que se reflete em teus olhos
Trazendo esperança
De dias que serão melhores
Para todo o sempre
E até o sempre será curto
Para conter tudo
Sorri para mim!

Em cima da hora

Por um instante voltei a acreditar
Que o amor poderia realmente existir
Mas tudo foi tão rápido e passageiro
Que ruiu o que nem se chegou a construir

Cambaleei tonto por alguns segundos
Mas logo tudo estará cicatrizado
Regressarei então a meu caminho
Um dia tudo será consumado

Não haverá dor por tanto estrago
Só saudade de um futuro que já é passado
Imperfeito, que morreu quando foi criado

Agora não haverá espaço para lágrimas
Nem precisa ter sequer cuidado
Isso passa,  logo novamente serei eu

terça-feira, setembro 28, 2010

Renascer

Eu devia ser impassível
E não deixar-me afetar
Pelo que me dizes
Mas sou fraco, confesso,
Pois afeta-mes mais do que penso
Mais do que pensas

Se percebo uma dor futura tua
Ela se faz minha dor presente
E sacrifico todas as minhas forças
Apenas para não te ver sofrer
Para diminuir a aspereza de teu caminho
Apenas por ti

Se, de repente, subo na 
Pedra que está no mar
É para admirar o horizonte que
daí se mostra diferente,
Que aparece mais altivo
Na noite em que a lua se levanta

Na certeza de que a escuridão se fará mais clara
Na esperança de que a vida se fará mais amena.

domingo, setembro 05, 2010

Cinzamente

Não me ensinaram a esconder minhas lágrimas
Nem me contaram como resistir ao sofrer
Provocado pela ausência da presença
Da dor que anda lado a lado com o viver
Quem me dera pudesse o tempo parar
Nos momentos em que o dia é mais curto
Que a areia escorre mais rápida
Dentro da ampulheta do cruel destino
De quem ainda não sabe a que veio
Numa noite escuramente cinza
Cinzamente escura a noite
Que nasce no coração de quem entristece
Pela lembrança de tudo que passou
Ainda que nada tivesse acontecido
Me descubro ainda criança
Em um corpo já amadurecido

domingo, agosto 15, 2010

Vontade

Eu queria sempre estar
Onde teus pensamentos se escondem
Eu gostaria de sempre participar
De cada um de teus planos
Eu desejaria compartilhar
De toda insanidade tua
Eu adoraria repetidamente ouvir
A canção que mais gostas
Eu viveria eternamente
No espaço que existir junto a ti.

Existência

Não há memória em que não estejas
Nem saudades que não sejam de ti
Não há vida em tua ausência dolorida
Nem coração que resista a tua falta

Não há tempo que apazigue tua lembrança
Nem tristeza que seja mais sentida
Não há dor que supere a de tua partida
Nem balança que pese tanto sofrer

Não há vontade de estar sem ti
Não há esperança sem você ao lado
Não há infinito que seja maior que este sentimento

Nem os dias curarão minha ferida
Nem a lua poderá me trazer consolo
Nem o sol mais brilhante poderá ofuscar tanto amor

segunda-feira, julho 19, 2010

Picapau Amarelo


Quero ir ao Sítio
Discutir de novo com
Emília e Visconde
Planejar com Pedrinho
E andar de mãos dadas
Com a menina do nariz arrebitado
Quero provar dos bolinhos de chuva
Que só Tia Nastácia sabe fazer
Quero ouvir Dona Benta
Me contar do que é o mundo
Quero viver no faz-de-conta
Quero acordar mais uma vez criança
E nunca descobrir que acabou o pirlimpimpim

A todos os moradores do Sítio, da criança que sempre esteve em mim

(FONTE DA IMAGEM: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhd7lIFhbGVZWrbTUCSXNLHDkQhqmQ0QJP3ElaPEYwhAe2EiASQGIlfEvoOSj2-AJLmC1JOBtyirTqSreH8MabvQiNlVZa4plOrK86lpNRGIeITrbDppYcHrK3erZqIH5TCwasHmw/s1600/S%C3%ADtio+do+Picapau+Amarelo+-+Monteiro+Lobato6.jpg)

domingo, julho 18, 2010

Alma recortada

Exporei minhas veias e artérias,
Elevarei meu corpo ao suplício extremo
Que só atinge quem ama de verdade
De quem ama mais outrem que a si

Minha própria solidão fará os recortes
De meu espírito já fragilizado
Que foi repartido em mil pedaços
Na noite em que foi abandonado

Mas a paixão é maior que a recusa
O amor é mais forte que sua própria cura
E a dor de não te ver é maior que a de existir

Te enviarei olhos, orelhas e dedões
Mas não poderei te enviar meu coração
Porque ele sempre esteve em tuas mãos



(Fonte da imagem: http://bolcidades.nafoto.net/images/photo20090603114633.jpg)

Madrugada azul

- Onde estás, senhora minha,
que não te condói meu mal?
Ou não o sabes, senhora,
ou és falsa e desleal.
O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha, Miguel de Cervantes

Balbucio teu nome na madrugada febril
Que se arrasta lentamente, na mais fria escuridão,
Em que me acho de peito aberto e desprotegido
Esperando apenas por tua palavra ou sinal

A lágrima que cai é o sangue da alma
Que, agitada, se torna estremecida
Que arde intensamente em letal fogo
Causado pela ausência de tua presença

A noite inteira me cai pesarosamente
Como se fosse castigo dilacerador
Que me é infligido pelo teu silêncio

Na loucura em que meu ser estabelece
Envio-te preces e juras, convites e ameaças,
Celebro-te, amor, em promessas e maldições

(Fonte da imagem: http://digoeu.blogs.sapo.pt/arquivo/noite1-thumb.jpg)

quarta-feira, julho 14, 2010

Exercício da manhã

Quando o sol no céu surgir
Irei exercitar plenamente a manhã
Que irá resplandecer solenemente
Nas nuvens de teus olhos verdes

Não desistirei diante da primeira chuva
Nem aplacarei toda a minha vontade
Diante do primeiro raio de sol

Serei por hoje, serei por sempre
Estive, estou e estarei eternamente
Banhado pela luz intensa de teu ser

Comemorarei a simples brisa
Que anuncia tua breve chegada
E atravessarei o frio de toda a madrugada
Que me diz que você está a chegar.


(Fonte da imagem: http://www.liveinalpharetta.com/blog/wp-content/uploads/2010/01/here-comes-the-sun.jpg)

domingo, julho 11, 2010

Palavras

Espera-me de braços abertos
Que, juro, não vou demorar
Abraça-me forte, abraça-me 
Desde o instante em que me vir

Faz-me um carinho suave,
Sussurra-me segredos no ouvido
Que hoje serei só e apenas teu

Conta-me teu sonho mais louco
Aquele que guardas apenas para ti
Que te contarei de minhas loucuras
Apenas para te fazer sorrir, uma vez mais

És minha luz do sol, que não pode faltar
És minha flor sem espinhos, a desabrochar
És a razão de minha vida, meu amor, meu par


(Fonte da imagem: http://mob186.photobucket.com/albums/x7/virna343/love.jpg?t=1241994045)

Frações de tristeza

"E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down"
Down em mim, Cazuza e Frejat

Na tarde insolente que se deita
Não vejo mais sentido algum
Nem me importa se a noite é estrelada
Nem se os planetas estão em conjunção
Vou remoer meu universo particular
Que teu amor fez todo ruir
E nem ao menos me deu a mão

Acordarei envolto na bruma
Que se espalha na tristeza da manhã
De um dia cinzento que se levanta sonolento
Sem vontade de ser nem de fazer
Se é que algo ainda há de acontecer
Por isso me tranco em mim mesmo
Dentro de meu coração que cedo anoiteceu


(Fonte da imagem: http://artigosdepsicologia.files.wordpress.com/2008/10/depressaomascarada.jpg)

sábado, julho 10, 2010

Fuga

Não me digas talvez
Saiba dizer-me não
E também me fales sim
Não te escondas no breu do silêncio,
Que é sombra que angustia a alma,
E incerteza que palpita a cada segundo
Dentro de um coração apaixonado.


(Fonte da imagem: http://manuelalves.files.wordpress.com/2007/07/1353513.jpg )