segunda-feira, julho 19, 2010

Picapau Amarelo


Quero ir ao Sítio
Discutir de novo com
Emília e Visconde
Planejar com Pedrinho
E andar de mãos dadas
Com a menina do nariz arrebitado
Quero provar dos bolinhos de chuva
Que só Tia Nastácia sabe fazer
Quero ouvir Dona Benta
Me contar do que é o mundo
Quero viver no faz-de-conta
Quero acordar mais uma vez criança
E nunca descobrir que acabou o pirlimpimpim

A todos os moradores do Sítio, da criança que sempre esteve em mim

(FONTE DA IMAGEM: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhd7lIFhbGVZWrbTUCSXNLHDkQhqmQ0QJP3ElaPEYwhAe2EiASQGIlfEvoOSj2-AJLmC1JOBtyirTqSreH8MabvQiNlVZa4plOrK86lpNRGIeITrbDppYcHrK3erZqIH5TCwasHmw/s1600/S%C3%ADtio+do+Picapau+Amarelo+-+Monteiro+Lobato6.jpg)

domingo, julho 18, 2010

Alma recortada

Exporei minhas veias e artérias,
Elevarei meu corpo ao suplício extremo
Que só atinge quem ama de verdade
De quem ama mais outrem que a si

Minha própria solidão fará os recortes
De meu espírito já fragilizado
Que foi repartido em mil pedaços
Na noite em que foi abandonado

Mas a paixão é maior que a recusa
O amor é mais forte que sua própria cura
E a dor de não te ver é maior que a de existir

Te enviarei olhos, orelhas e dedões
Mas não poderei te enviar meu coração
Porque ele sempre esteve em tuas mãos



(Fonte da imagem: http://bolcidades.nafoto.net/images/photo20090603114633.jpg)

Madrugada azul

- Onde estás, senhora minha,
que não te condói meu mal?
Ou não o sabes, senhora,
ou és falsa e desleal.
O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha, Miguel de Cervantes

Balbucio teu nome na madrugada febril
Que se arrasta lentamente, na mais fria escuridão,
Em que me acho de peito aberto e desprotegido
Esperando apenas por tua palavra ou sinal

A lágrima que cai é o sangue da alma
Que, agitada, se torna estremecida
Que arde intensamente em letal fogo
Causado pela ausência de tua presença

A noite inteira me cai pesarosamente
Como se fosse castigo dilacerador
Que me é infligido pelo teu silêncio

Na loucura em que meu ser estabelece
Envio-te preces e juras, convites e ameaças,
Celebro-te, amor, em promessas e maldições

(Fonte da imagem: http://digoeu.blogs.sapo.pt/arquivo/noite1-thumb.jpg)

quarta-feira, julho 14, 2010

Exercício da manhã

Quando o sol no céu surgir
Irei exercitar plenamente a manhã
Que irá resplandecer solenemente
Nas nuvens de teus olhos verdes

Não desistirei diante da primeira chuva
Nem aplacarei toda a minha vontade
Diante do primeiro raio de sol

Serei por hoje, serei por sempre
Estive, estou e estarei eternamente
Banhado pela luz intensa de teu ser

Comemorarei a simples brisa
Que anuncia tua breve chegada
E atravessarei o frio de toda a madrugada
Que me diz que você está a chegar.


(Fonte da imagem: http://www.liveinalpharetta.com/blog/wp-content/uploads/2010/01/here-comes-the-sun.jpg)

domingo, julho 11, 2010

Palavras

Espera-me de braços abertos
Que, juro, não vou demorar
Abraça-me forte, abraça-me 
Desde o instante em que me vir

Faz-me um carinho suave,
Sussurra-me segredos no ouvido
Que hoje serei só e apenas teu

Conta-me teu sonho mais louco
Aquele que guardas apenas para ti
Que te contarei de minhas loucuras
Apenas para te fazer sorrir, uma vez mais

És minha luz do sol, que não pode faltar
És minha flor sem espinhos, a desabrochar
És a razão de minha vida, meu amor, meu par


(Fonte da imagem: http://mob186.photobucket.com/albums/x7/virna343/love.jpg?t=1241994045)

Frações de tristeza

"E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down"
Down em mim, Cazuza e Frejat

Na tarde insolente que se deita
Não vejo mais sentido algum
Nem me importa se a noite é estrelada
Nem se os planetas estão em conjunção
Vou remoer meu universo particular
Que teu amor fez todo ruir
E nem ao menos me deu a mão

Acordarei envolto na bruma
Que se espalha na tristeza da manhã
De um dia cinzento que se levanta sonolento
Sem vontade de ser nem de fazer
Se é que algo ainda há de acontecer
Por isso me tranco em mim mesmo
Dentro de meu coração que cedo anoiteceu


(Fonte da imagem: http://artigosdepsicologia.files.wordpress.com/2008/10/depressaomascarada.jpg)

sábado, julho 10, 2010

Fuga

Não me digas talvez
Saiba dizer-me não
E também me fales sim
Não te escondas no breu do silêncio,
Que é sombra que angustia a alma,
E incerteza que palpita a cada segundo
Dentro de um coração apaixonado.


(Fonte da imagem: http://manuelalves.files.wordpress.com/2007/07/1353513.jpg )

Lágrimas notívagas

Quero ir de encontro ao infinito
Quero me livrar de toda a dor
Sem temer a saudade da despedida

Quero poder sonhar meu sonho
Quero viver minha vã realidade
Sem recusas ou tanto sofrimento

Quero não ter medo de falar
Quero ter coragem para agir
Sem receio de não ser entendido
Sem medo de não ser recebido

Quero voar até onde vão minhas vontades
Quero sentir o que há para ser sentido
Sem lágrimas que afoguem meu ser
Sem amargura que me atormente a alma.


(Fonte da imagem: http://www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK32456_lagrima800.jpg)

A fogo e sangue

"Nessa história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor a sangue e fogo."
Pablo Neruda

Se me entrego a ti, me entrego inteiramente
Sem vaidades ou egoísmos corrosivos
Sou teu, porque assim eu o quero
Estou contigo, porque é assim meu desejo

Se te espero, serei paciente, serei presente
Sem cobranças ou ameaças, sem propriedades
O que mais me importa é apenas que te amo
E só isso já me faz capaz de enfrentar o mundo

Minha força está em sentir teu sorriso
Que me sorrias até o fim, desde o começo
E viverei esse amor, sem qualquer tropeço

Atravessarei noites em chama, chamando teu nome
E terei madrugadas claras, velando por teu sono
E te viverei em cada segundo, apenas por que te quero
(Fonte da imagem: http://www.glogster.com/media/2/4/49/79/4497944.jpg)

Piedade

É injusto o amor que se carrega sozinho
Dentro da solidão infinita de cada ser
Que não floresce, porque não pôde brotar
Que não pôde ser,  pois foi impedido de existir

É triste a vida de quem não teve coragem de amar
De quem nunca se arriscou ao erro e fracasso
Porque gastou sua vida dentro de apenas si
Porque nunca sentiu o coração bater tão intensamente

É infeliz a sina de quem não amou alguém
De quem nunca sofreu por amar
De quem nunca se acabou diante da primeira decepção

É lamentável que alguém não ame
Que não compartilhe com ninguém sua vida
Que passou a vida toda sem ter alguém por quem viver


(fonte da imagem: http://fabianochiclete.files.wordpress.com/2009/11/solidao41.jpg)

sexta-feira, julho 09, 2010

Ensina-me a dizer como é possível

Como posso não te querer,
Se és tudo que eu quero?
Como posso te esquecer,
Se lembro de você a cada instante?
Como posso não te ligar,
Se cada segundo é uma eternidade sem ti?
Como posso te abandonar,
Se tua presença é constante em mim?
Como posso não te chamar,
Se teu nome é o único que pronuncio?
Como posso deixar de te ver,
Se basta fechar meus olhos e lá estás?
Como posso não te amar,
Se meu coração só pulsa por ti? 

(Fonte da imagem: http://anamspirit.com/loving%20relationships.jpg)

quarta-feira, junho 30, 2010

Esperança interrompida


O corpo do herói está inerte.
Sua ação já não é mais possível
Nesta noite tão fria e escura.
O herói foi paralisado bruscamente
Em um rompante, interromperam seus sonhos
Em alguns segundos, cessou a esperança
No silêncio abrupto de sua partida
Misturaram-se sangue e lágrimas
Confundiram-se a dor e a ausência
Ainda ecoa na escuridão seu último grito
Sua imagem persiste em nossas mentes
Como fogo que nunca se apaga
Seu sangue semeou a terra que amava
E, espalhado, é semente que fervilha
Que germinará fortalecendo os sonhos de novos heróis.

A Alcides, que teve a esperança interrompida

(Fonte da imagem: http://mob37.photobucket.com/albums/e53/Prochownik/rain.gif?t=1241892849)

sexta-feira, junho 25, 2010

Azul profundo

Meu canto é triste
Mas não o é por acaso
É triste porque assim o quero

Eu uso a tristeza,
Até quero estar triste
Porque minha alma será fortalecida

Entenda que não sou triste
Eu apenas estou triste
E tanta tristeza me fará renascer

Não queira tirar minha tristeza
Eu preciso desse momento
Mas esteja comigo sempre
E essa tristeza logo vai passar

(Fonte da imagem: http://farm2.static.flickr.com/1235/1410398234_c341320704.jpg)

segunda-feira, junho 21, 2010

Somente

Tenho uma saudade velada
E uma tristeza não-anunciada
Por um amor que ainda não apareceu

Tenho tantas vontades secretas
E algumas certezas tão certas
Sobre o amor que nunca surgiu

Tenho muitos sonhos intranquilos
E muito mais desejos proibidos
De uma paixão que jamais existiu



(Fonte da imagem: http://versospoeticos.blogs.sapo.pt/arquivo/saudades.jpg)

sábado, junho 19, 2010

Amor em contemplação

Teus olhos brilhantes
Prendem toda a minha atenção
Teu sorriso inebriante
Desfaz qualquer outro pensamento meu
O balançar de teus cabelos
Guiam meus interesses em teu movimento
Teu toque macio e suave
Me coloca entre o sonho e a realidade
Uma só palavra tua
E todo o mundo, de repente, fica iluminado.





(Fonte da imagem: http://www.artmajeur.com/0/images/images/rosecanazzaro_2561981_13.jpg)

Por amor

“As armas não podem cortar o Espírito, o fogo não pode queimá-lo, a água não pode molhá-lo, e o vento não pode secá-lo. O Espírito não pode ser cortado, queimado, molhado, ou seco. Ele é eterno, todo penetrante, imutável, imóvel e original. O Atma está além do espaço e do tempo.” (Bhagavad-Gita, 2.23-24)

Ainda que seja quebrantado
No furor da batalha sangrenta
Ainda que seja destruído por inteiro
No calor da mais brilhante explosão
Ainda que seja despedaçado
Diante da arma mais feroz
Ainda que seja partido seguidamente
Pela mais cortante navalha
Ainda que seja imerso totalmente
No mais sufocante pântano
Ainda assim meu espírito sobreviveria
Impassível e imutável
Inabalável a qualquer sofrimento
Permaneceria altivo e intenso
Porque sei que tenho teu amor
Só por isso sempre viveria. 

 























(Fonte da imagem: http://mob261.photobucket.com/albums/ii66/electrick_dreamz/Universe.jpg?t=1242061573)

Procura


Preciso de um amor
Que esteja comigo
Não porque quero
Mas porque quer

Preciso de um amor
Que não me cobre palavras
Não porque não as tenho
Mas porque não são necessárias
Preciso de um amor
Que me traga um sorriso
Não porque estou triste
Mas porque me faz mais feliz
Preciso de um amor
Que não exija ciúmes
Não porque seja insensível
Mas porque não quero propriedades
Preciso de um amor
Que entenda minhas vontades
Não porque sou egoísta
Mas porque também devem ser suas
Preciso de um amor
Que não tenha vaidades
Não porque seja descuidado
Mas porque comemora a vida
Preciso de um amor
Que ilumine minhas tardes
Não porque sejam escuras
Mas porque dá luz a meu viver
Preciso de um amor
Que não se importe com a distância
Não porque não seja importante
Mas porque sempre está perto em meu coração

domingo, junho 13, 2010

À flor da pele

À flor da pele
Meu desejo se torna real
À flor da pele
Já não existe nenhum mal
Se te quero a cada instante
Se minha busca é constante
Toda ilusão é sincera
Todo sonho é concreto
Todo sentimento é certo
Todo tempo é de espera
Inteira, uma vida em explosão
Inteiro, segue meu coração
Vivendo intensamente a emoção
De sempre estar
À flor da pele.


terça-feira, junho 08, 2010

Amor em transe

Não me chames o tempo inteiro
Porque não vou atender
Não estarei em teu redor a cada instante
Porque não quero te sufocar

Te deixarei chorar às vezes
Para que possas amadurecer
Não quero que dependas de mim
Para que não sofras se um dia eu faltar

Não me digas sempre sim
Mas também
Não me digas sempre não

Entendas que sou assim
Que não preciso te procurar a cada minuto
Porque estás o tempo todo dentro de mim

Amor silenciado


Semente que não germina
Por capricho do destino
Guarda toda a força dentro de si
Escondendo a vida que carrega
Oculta, em tua escuridão
A beleza com que te preenches
É feita refém em tua casca
E permanece imbuída em tua seiva
Aguardando um único chamado
Para despertar em total furor
Para a vida que espera
Inteira, a ser vivida

quinta-feira, junho 03, 2010

Saudade

Sou um saudosista assumido:
Tenho saudade de tanta coisa
Que nem existiu
Tenho saudade de um tempo
Que nunca passou
E tenho saudade de amores
Que nunca se concretizaram.

Flor da meia-noite

Hoje me descobri romântico
Nessa meia hora em que a chuva caiu
E, à noite, tive tanta certeza
Da pureza desse amor que me surgiu
E não há minuto mais feliz
Do que quando estou a teu lado
Cada segundo de um olhar teu
Me preenche por toda a eternidade
E por qualquer tempo a mais que
Possa ainda existir
A vida até me parece mais viva
Mais vida, ao perceber você chegar
Nem a escuridão me é mais tão escura
Tenho teu riso para me iluminar
Porque hoje me descobri mais romântico
E nada mais vai me incomodar

quarta-feira, junho 02, 2010

Noite da desilusão


E porque toda dor é passageira
E o tempo cicatriza cada ferida
Nem assim será efêmera minha tristeza
Produzirá marcas profundas esta frieza
Com que me tratas, minha amada,
Imprimindo tanta dor em minha alma

Tristeza profunda que o sol não aplaca
Solidão que sem dó a meu peito ataca
Sufocando meu ser, mitigando meu viver
Transformando cada momento em sofrer
Pintando o meu dia da mais intensa escuridão
Que não cessa de fulminar meu coração

Não há hora certa em um tempo sofrido
Nem força suficiente em um amor já vencido
Que possa fazer vibrar suave serenata
Que preencha esta noite iluminada
Que possa enviar para longe tão viva dor
Que me faça acreditar novamente no amor

domingo, maio 30, 2010

Noite curta

Fostes estrela fugaz
Que se consumiu rapidamente
Com brilho tão intenso
Que ainda hoje se faz sentir
Fostes voz de meu sentimento
E portador da mesma tristeza
De quem contempla a vida imensa
Dentro de um único segundo
Poeta flamejante, de voz macia,
Fostes ao mesmo tempo luz e poesia
De uma juventude inteira, presente e futura
Cantastes o coração de uma nação
Brilhas agora no infinito
Com o resplendor de tua força
Livre de toda dor e lágrima
Justa recompensa a quem só cantou o amor.

A Cazuza, poeta maior de uma geração

sexta-feira, maio 28, 2010

Teorema

Descobri que o paraíso pode existir
Ainda que por poucos instantes
Em um beijo que eu roubei de ti

Esses momentos de tanta ternura
Jamais havia vivenciado antes
És tão sublime, beleza tão pura

Tu és meu mais doce teorema
Que encanta-me em contemplação
Na minha mais suave ilusão
Arrisco escrever-lhe um parco poema

Tingido com as fibras de meu peito
Contigo, minha vida, meu sal
Faço até um novo tempo verbal:
Meu presente mais-que-perfeito

terça-feira, maio 25, 2010

Saudade anunciada

A tantos estudantes que este ano se despedem. 


Enfim chegam ao terceiro
E logo não mais estarão
Conosco a cada dia, pois
Novos caminhos seguirão
É saudade que já se sente
Dentro do peito, apertada,
Uma saudade antecipada
Da separação anunciada
Eis que ensaiam novos vôos
Para tantos outros lugares
Que encontrem bom pouso
Em cada parada da estrada
Que levem sempre consigo
Um pedacinho desta estada
Que possa ser base firme
Para a futura caminhada
Aqui terão sempre apoio
Seja quais forem os destinos
Terão sempre a torcida
Carregarão toda minha esperança.





sábado, maio 22, 2010

De passagem

Afundo no sentimento
Para escrever esta poesia
Nascida no mar das palavras,
criada dentro do peito,
Filha do corpo e da alma.

Que traduza o íntimo de meu ser
Submerso em suas próprias fantasias
Indiferente às ânsias do meu ter
E despreocupada com o medo da morte certa
Ainda que cada curva seja incerta

Que seja perene dentro do coração
Pois é passageira da vida que passa
Mas que permanece para sempre
No tempo que um dia existiu.

(22/12/2000)

Saudade

Não precisa me lembrar
Que eu sou tão culpado
E que durante todo o tempo
Era eu quem estava errado

Apague as lembranças
e esqueça cada promessas
elas são apenas herança
De um tempo que já é passado

Nem precisa falar
Porque dói demais
Porque tudo já passou
E não quero mais
Pode ir embora, agora
Já é tarde demais

Eu sei que te perdi
Para todo o sempre
E sei que o tempo não volta atrás
E que qualquer palavra é vã

Não posso falar mais
As palavras não saem mais
De um peito vazio
Assim como você deixou o meu

Nunca fui pássaro
Mas aprendi a voar sozinho
O céu é meu limite
E o amor, meu fim.

(04/12/1997)

Monumento ao amor

Enquanto nos abraçávamos
sequestrados pelo sentimento
O tempo pediu licença
E naquele instante tudo parou

Para a eternidade
Aquela imagem foi esculpida
Formando um monumento,
Um monumento ao amor

E, assim eternecidos
No enlace unificador
Não percebemos que o mundo parou

Por um instante, fez-se silêncio
E nada mais foi importante
A única coisa importante é o amor.

(01/04/1997)

Queima, cosmo!


E porque hoje serei intenso
Em tudo, na vida,
Esquecerei do mundo,
Das dores e problemas
Perderei por hoje o senso
Para viver cada segundo

E, porque me descubro vivo
Aproveitarei cada molécula de oxigênio
A inflamar todo o meu peito
Para viver mil noites em uma
Com a força do desejo
De quem não teme o fim
De quem acredita em um novo começo

Terei forças para ir
Para onde tiver vontade
E não, não irei com sequer desespero
Ao fundo do poço
Pois que estou finalmente
Saindo do poço em que estava.

Ao cair da tarde, quando surge a noite

Ainda que soubesse como
Mesmo assim não te esqueceria
Não porque não quero
Mas porque assim morreria
No cair da tarde, em silêncio

Sufocado por meu pensamento
Saudoso de tua lembrança
Perdido na ausência de teu ser
Cego, na falta de tua luz
Inane, com o sumiço de meu próprio ser

Encerrarei-me no romper
Desta noite tão fria
Quando só solidão irradia
Quando a tua ausência é tão forte
Que meu prório espírito me abandona.

quinta-feira, maio 20, 2010

Teu sorriso sublime

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Pablo Neruda, Teu riso.

Descobri que sou dependente
Da sublimidade de teu sorriso
Que me embriaga suavemente
Envaidecendo-me como Narciso

Se teu sorriso de repente some
Sinto que as estrelas se apagam
Não sinto mais sede nem fome
Só dor e saudade se propagam

Quando sorris, sinto que há mais,
Que ali o mundo se transforma
Parece que o Universo fica em paz

Esse sorriso que tanto me aquece
Que minha vida toda reforma
Ilumina-me, é a luz que me apetece

terça-feira, maio 18, 2010

Sementes de chuva

Atiro-me no abismo
Que separa a loucura da razão
Lanço-me da ponte destruída
Pelo amor em desconstrução
Faço-me flecha que atravessa
O curto espaço da felicidade
Embalado pelos ventos da saudade
E embriagado pelo aroma que ascende
Desta terra encharcada por minhas lágrimas
De que me importa se o tempo avança
E se a maldade apresenta um futuro sombrio
Não deixaria de te seguir apenas por não te ver
Não deixaria de te amar apenas por não te ter.

Teu

Não é possível descrever-te em palavras
Quando palavras não são suficientes para te representar
Não é possível fazer um desenho teu
Quando não há traços suficientes para te resumir
Não é possível escrever-te uma música
Quando não existem sons tão suaves como tua voz
Não é possível lembrar-te nas flores
Quando até as flores invejam tua beleza
Não é possível enxergar-te na lua
Quando teu sorriso reflete luz muito mais brilhante
Não é possível ver-te em sonho
Quando já é um sonho estar acordado ao lado teu
Não possível comparar-te com outro amor
Quando não há outro amor além do teu.

domingo, maio 16, 2010

De um futuro incerto

Pra que ter medo do futuro?
Se o futuro é só uma possibilidade,
Se tudo ainda é tão incerto,
Ter medo não será apenas vaidade?

Se meus passos são ainda vontade
Se minhas palavras são somente imaginação
Se o que busco é minha felicidade
Como vou ter medo de tentar cada ação?

O certo é que tudo é incerto
De que na vida não podemos esperar
O coração deve estar desperto

Ao sucesso e fracasso deve viver
E não pode ter mais medo de errar
Não vence quem tem medo de sofrer

quinta-feira, agosto 28, 2008

Os ponteiros apressados,
tic tac tic tac
Batem no mesmo compasso
tic tac tic tac
O coração descompassado bate
Tum tum tum tum
Em vida que explode
Tum tum tum tum
Vivendo mil minutos em um.

sábado, agosto 16, 2008

Insônia

Me acalma a alma
Conturbada e sofrida
A noite mal dormida
Silenciosa e calma
Que traz tanto desespero
Que soa a destempero
E que o sono espalma

Me faça dormir sereno
Nessa noite tão fria
Que até a mente esfria
E o corpo fica ameno
A mercê da solidão
Que aflige o coração
Tal qual letal veneno
Espere,
Não sai assim
De vez, da minha vida

Você chegou,
E agora quer partir
Sem nem ao menos uma despedida

Não reclamo
Porque partes
Mas da forma como vais

É preciso
Inda que uma vez mais
Saber olhar para trás

Não apague
Marcas para esquecer
O que não dá para ser esquecido

Não viva
Como se tudo
Só fosse terminar no fim

Pois cada dia
É um pouco mais perto
Do dia em que estaremos longe

Pois a vida
Não dá tempo para escolher de novo
E recomeçar.

sábado, fevereiro 03, 2007

SEGUINDO A TRILHA

É mata
É serra
É minha guardiã
E o seu sorriso só
Me traz bem

É anjo
É vida
É minha princesa
Que só carrega alegria
Com o orvalho da manhã

É beijo
É abraço
É minha amiga
E tudo que me diz
É como uma cantiga ao vento

É sorte
É tudo
É minha namorada
Que me faz feliz
Por me ensinar a amar

DIBUJOS

Dibujos en la pared
Son usted y yo
Borrados por el tiempo
Sólo restan las sombras
Como fantasmas que vuelven

Dibujos en la pared
Cerro los ojos
E ya no miro dibujos
Miro nosotros
Y nuestros momentos pasados

Dibujos, sombras, fantasmas,
Usted, yo, nosotros,
La lluvia ensució los dibujos
Y los celos ensuciaron nuestras almas

He hecho muchos dibujos
En las paredes de la casa
Pero son sólo dibujos.
Sin usted, no son nada.

DE TANTA PAIXÃO

De tanta paixão
Até faço prece
Que meu peito estremece
Diante de tanta emoção

Meu coração, para ouví-lo,
Não precisa entendimento
Apenas o sentimento
Para percebê-lo intranqüilo

Esse teu corpo sereno
Teu olhar tão moreno
Aviva minha ilusão

E, de tanta paixao,
Transformo a vida em cores
E em cada esquina, mil flores.

PASTO DE VERMES

"Já o verme - este operário das ruínas -
que o sangue podre da carnificinas come,
e à vida em geral declara guerra"
Augusto dos Anjos
O sangue nos corredores
De grandes hospitais doentes
Onde enfermeiras e doutores
Tornam-se dementes
A morte solta corre
Por entre leitos infectados
De vários males se morre
Vermes, nas carnes encontrados
O cheiro de carne decomposta
Insensando o mundo afora,
Explícita, a podridão
Para os germes, mesa posta
Imagem nada tentadora
Um verme rói o coração

SEM CURA

Somos jovens doentes,
Apáticos, indiferentes,
Nervosos, psicopatas,
Dementes, cardiopatas.
Não temos dinheiro,
Só afetação.
Milhares de comprimidos,
Não há mais salvação.
Queremos morrer,
Mas mortos estamos
O veneno foi absorvido
E nós nunca prestamos
Vós sois testemunhas
Dessa juventude falida
Vítima de vossa herança
Que a condenção valida.

OS CISNES NEGROS

Negros cisnes da morte,
Que bicam as flores da vida
Seus bicos fazem o recorte
O sangue não os intimida

Asas pretas sobre um corpo pálido
O pavor o empalideceria
Este, que antes era cálido
Agora se decomporia

Apodrece, e já é fétido
Quando o primeiro verme aparece
De dentro das carnes defuntas

Bicam todas as aves juntas
Qualquer ser vivente estremece
Um cisne engole o vemre apodrecido

DE SONHOS E DE AMIZADE

Não era fácil,
Mas era o sonho
E eu não podia perdê-lo assim.

Não era grande,
Nem tão pequeno,
Mas do tamanho que eu queria.

E foi-se o sonho,
De ser mais que amigo
E tudo que havia
Agora tinha terminado

Foi mais que vontade,
Foi intenso o desejo
Consumiu-se em um fogo
O sonho tinha acabado.

Lembranças

Lembrem das tardes cálidas,
Quando ela se encontrava
Sentada na colina, sozinha.
Ninguém sabia o que pensava
Mas era nela em que todos pensavam.

Lembrem dos pássaros voando
Ao redor da menina
Cantando uma canção
Como um dia cantei.

Não esqueçam do vento sereno
Acariciando sua pele
Macia como uma pluma,
Digo porque senti.

Nunca apaguem a imagem
Do sonho formado
Lá em cima, no alto,
No cume da colinda.

Era lá que estava,
Naquelas tardes cálidas,
Quando os pássaros cantavam,
E o vento passava,
Para onde se dirigiam os pensamentos.

Ainda olham para a colina
E tanto tempo já passou
Mas é forte a lembrança
Ainda resta a esperança
Que seja devolvida,
Desse penhasco em que se jogou.

domingo, novembro 12, 2006

ENSEJOS

No silêncio dessas paredes
Neste chão duro e frio
Teu olhar já não é o mesmo
Nem o que dissestes
Possui mais algum valor
Eu continuo te amando
Só que agora é diferente,
Quero ficar sozinho
Quem sabe escrever um pouco
Pensar na vida que levamos
Os carros já não me incomodam mais
E tudo mais é passageiro
Acho que te amarei eternamente
Mas quero continuar meu caminho
Coisa triste é amar,
É sofrer mais do que é preciso
Sentir falta de um carinho
Mas me entenda,
Quero ficar sozinho

SEM TÍTULO

Carrego dentro do peito
A mais forte lembrança
De quando ainda era criança
E sonho em meu leito
Com a vida que vivia
Sem conhecer o mal
Era vida sem igual
Era até mais do que queria
Dormia na sombra do cajueiro
Galopava cavalo sem sela
Vida mesmo boa era aquela
De café torrado, ainda sinto o cheiro
E navego em meu pensamento
Rumo a um distante passado
Levo a sede do viajante
Sou como poeira ao vento.

DEUS

Eu te procurei
Em meio à imensi~dão inifnita
Nos lugares mais bonitos
E em todos os outros por Ti criados

Nos animais te busquei
Também em selvas e florestas
Onde estarias Tu
Que em canto algum te encontravas?

Nos desertos meditei
Em gélidas terras descansei
Mas a todo instante, era a Ti que buscava

A vida muito me ensinou
Sem te ver, aprendi que és amor
E finalmente te encontrei dentro de mim

A LENDA DO AMOR

Uma vez existiu,
Mas existiu de verdade,
Muito antes de nascermos,
Existiu o amor

Hoje não o sentimos
Ele nos abandonou
Agora não mais o temos,
Bateu asas e voou

Culpa dessa maquinaria
Tirou-nos o dom de amar
Talvez já nem possamos sonhar

Era eterno, todos diziam
Realmente não o era
Proque dele, só restou essa lenda

SONETO DO DESPERTAR

Levante-se e abrace-me
Deixe tudo para depois
Após tanto tempo perdido
É hora de recomeçar

Acorde, receba os raios do sol
Junto com meu coração
E ouça as verdades que lhe digo
Que lhe amo eternamente

Entregue-me sua mão
Enfim, caminhemos juntos
Em direção ao amanhã

Sinta o vento em seu rosto
Correndo livre por seus cabelos
E, ao menos uma vez, deixe-me lhe amar.

CEDO

Eu senti o que você sentiu
E lhe vi como você me viu
Mas ainda era cedo
Ainda é cedo demais

Eu quis o que você queria
E não tive a coragem que você não teve
Porque ainda era cedo
Ainda é cedo demais

Eu sonhei como você sonhou
E esperei o que você também esperou
Só que ainda era cedo
Ainda é cedo demais

E a vida tomou seu rumo
Você e eu, outros caminhos
Porque acreditamos que era cedo
Agora é tarde demais

BEIJA-FLOR

Quisera ser um beija-flor
Para voar por entre as pétalas de teus cabelos
Sugar o néctar em tua boca
Quisera ser um beija-flor

E, nas tardes ensolaradas,
Cantar baixinho ao teu ouvido
Aquela que seria a nossa melodia
Aquela que é a canção dos amantes

Quisera ser um beija-flor
E que, ao voar, pudesse aos céus levar
A infinita beleza de amar

E, no final de tudo,
Quisera ser ainda um beija-flor
Para te preparar um ninho de amor.

terça-feira, outubro 03, 2006

AMOR À "LA CHIMIE"

Você é a base para
a minha reação.
O oxigênio,
na combustão de meu amor.
O isótopo que
completa meu elemento
Os elétrons de meu corpo
buscam teus prótons
E querem pulsar bem próximos
de teu coração ionizado.
Quero dissociar-me em
teus braços,
Unindo-me em teu corpo
numa só fase de agregação.
Nesse rodeio de átomos,
nesse arranjo de cristais
Meus desejos são catalisados
pela fórmula de teu amor.
Faz tempo que não escrevo mais poesia...
E esse lado estava adormecido, esquecido... Hoje vi que não podia deixá-lo guardado, escondido. Essa parte tão importante de minha juventude deve, até mesmo por respeito ao que significou para mim, ter seu espaço.
Por isso é um re-canto (um misto de recanto - espaço com o cantar novamente).
Enfim, poesia..